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Num período de pandemia, onde uma das medidas de contenção de propagação da COVID-19 exige a restrição de contactos sociais. Com o encerramento das escolas, milhares de crianças portuguesas ficaram em casa, em isolamento. Isto implica uma permanência no lar que deve ter em conta medidas de promoção da saúde mental para minorar o impacto da situação atual.

Como explicar o coronavírus às crianças?

Em primeiro lugar, chame os seus filhos e tenha uma conversa sincera com eles. Deve falar de forma séria com eles, explicar que isto é um vírus novo para o qual os médicos não têm muito conhecimento. É necessário tomar medidas de precaução como ficar em casa e adotar uma boa higiene (evitar tossir ou espirrar para as mãos e lavar frequentemente as mãos). Sem tomarmos essas medidas e outras, o vírus pode ganhar força e até mesmo matar. É necessário ser muito firme em relação a este assunto.

Medidas para ajudar as crianças nesta situação

  1. Reforcem a noção de segurança. Expliquem às crianças o que se passa. Respondam às perguntas, medos e preocupações. Procurem informação em fontes seguras e evitem notícias alarmantes. Adequem o discurso à idade da criança e usem linguagem simples e um tom calmo.
  2. Mantenham as rotinas. Para qualquer criança é essencial a manutenção das horas de sono, do número de refeições, de uma dieta equilibrada, da toma da medicação habitual, do tempo para brincar e para trabalhar/estudar/ajudar em casa, do tempo mínimo de ecrãs, dos hábitos de higiene, dos rituais familiares.
  3. Promovam a atividade física. Mesmo em casa, sejam ativos. Corram, saltem, subam e desçam escadas…
  4. Tentem manter a exposição solar. Na janela, na varanda, no terraço, procurem pelo menos 10 minutos de exposição à luz solar.
  5. Mantenham contactos sociais à distância. Utilizem os dispositivos eletrónicos para manter os contactos com familiares e amigos, para menor noção de isolamento.
  6. Planeiem o dia. Incluam atividades de lazer e de estudo. Deixem que as crianças vos ajudem nas atividades da casa.
  7. Ajudem na gestão da ansiedade. Façam exercícios de relaxamento com as crianças, pratiquem exercícios de respiração profunda, mantenham atividades prazerosas ao longo do dia, ofereçam suporte. Não mediquem sem prescrição médica.
  8. Sejam pacientes. Em situação de crise e de incerteza as crianças podem exigir mais atenção e ficar mais tristes ou irritadas. Ofereçam apoio e conforto. Se possível, alternem com outro cuidador e tenham tempo de descanso.
  9. Evitem o contacto com populações de risco. Suspendam visitas aos avós, reuniões familiares ou com amigos, festas de anos… Mas expliquem sempre o porquê desta medida.
  10. Evitem o serviço de urgência. Recorram ao hospital apenas em situações inevitáveis.
  11. Na suspeita de infeção por COVID-19 ligue para a linha SNS24 e siga as recomendações.

Sugestões de atividades

  • Conversar e partilhar vivências
  • Recolher brinquedos – o tempo em casa pode ser ideal para uma seleção de brinquedos que ainda estejam em bom estado para dar, com o envolvimento dos mais novos.
  • Ler ou inventar histórias – podem pegar nos livros de sempre ou até fazer um jogo em que inventem histórias.
  • Jogar ao faz de conta – não há limite para a imaginação e para as personagens que podem recriar (faz de conta que sou o polícia e tu o médico…) explique o que pode usar e fazer.
  • Fazer construções com puzzles e legos
  • Fazer jogos de papel (stop, jogo do galo e batalha naval)
  • Fazer sopa de letras e palavras cruzadas
  • Fazer jogos de tabuleiro
  • Fazer tarefas domésticas em conjunto, promovendo a autonomia e espírito de interajuda
  • Ver filmes e no fim faça muitas perguntas – coma muitas pipocas.
  • Dançar – o repertório não precisa de se reduzir a música infantil. Porque não aproveitar o tempo para mostrar aos mais pequeninos quais as vossas bandas preferidas ou que músicas vos fazem viajar no tempo?
  • Desenhar e pintar – com aguarelas, lápis, guaches, canetas de feltro ou cêras. Utilizem as mãos (e porque não os pés também?) E acrescentem colagens de recortes de revistas e jornais.
  • Ver fotografias – todos viajamos no tempo, mesmo sem sairmos do mesmo lugar, sempre que olhamos para álbuns de fotografias. Façam o mesmo com os mais pequenos e mostrem-lhes fotografias de quando eram bebés, de viagens que fizeram ou experiências especiais.
  • Cozinhar – todos embrulhados em aventais, podem ajudar na preparação das refeições diárias e, se assim entenderem, confecionar bolos, bolachas, gelados ou sumos.
  • Fazer ginástica – com tantos vídeos na internet e com tanta informação, é tão simples tirar meia hora ou uma hora para alongar e para fazer exercício físico.
  • Jogar ao quente e frio – escondam objetos numa divisão da casa e vão indicando a proximidade com a temperatura: frio/morno/quente/a escaldar/encontraste!.

Durante a pandemia, mas em qualquer situação de crise, a resposta e a atitude dos cuidadores é essencial ao bem-estar da criança. Por isso, cuidem também da vossa saúde mental e física e respeitem as normas de proteção e de contenção.

Aproveite para viver e brincar com as crianças!

Neurovagos, a sua saúde é a nossa prioridade!

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